quarta-feira, 1 de abril de 2026

O Último Feitiço

"Tu não me podes dar o que eu preciso."
Último feitiço que me lançaram.
É magia que me deu prejuízo.
Mas ficou, nos tempos que passaram.

Não vale a pena conhecer a história.
É uma como tantas outras que há.
De heróis que cavalgam a glória
De quem nunca os combaterá.

Guerreiros que ferem a própria sombra,
Julgando trata-se do inimigo.
Dos que tecem a própria alfombra
Para cortejo do seu umbigo.

Rodeados de "gente insuficiente",
Não sei como consueguem resistir.
É complexa a vida da gente
Que é gente sem assumir.








segunda-feira, 30 de março de 2026

Coágulo Poético

A fonte via-se seca.
Cântaros cantavam a sede.
Nos cantos a dor que disseca
O fatal salto e a não-rede.

Partiste-te, seco canteiro,
Cantadeiro vazio de fé:
Escudeiro da espera e herdeiro
Do que foi "será" e não é.

Desta bica, antes molhada,
Não sai vento, não sai deserto.
Não há vazio neste aperto
Há, sim, um sinal na estrada.

Quem é o senhor deste sinal?
Será, certamente, senhor da estrada.
Se a estrada é minha, afinal,
Fui sinaleiro da longa estada.

Acampei, por mim detido.
Nesta estrada fui barreira.
Não quis escutar o ouvido,
Nem a minha voz verdadeira.

Coágulo da fonte que escreve,
Que canta medos e dores.
Salto e solto quem me deve.
Há novos versos e calores.

Água que tornas a correr,
Sê água, sem mais tentar.
Sê água sem ser mulher.
Sê água, sou terra e ar.