quarta-feira, 1 de abril de 2026
O Último Feitiço
segunda-feira, 30 de março de 2026
Coágulo Poético
sexta-feira, 26 de abril de 2024
PRESIDENTE DA JUNTA CORTA MESADA AO FILHO
O Presidente da Junta da Lusíria tem um filho. O filho trabalha na Freguesia da Tropicónia. O filho pediu ao pai uma cunha no centro de saúde da Lusíria para arranjar dois pares de muletas para as filhas de um casal “amigo” da Tropicónia. O pai (não) não fez um telefonema e (não) não se conseguiram as muletas, apesar da fila de espera de Lusírios. O jornal Lusírio fez um pé de vento. O Presidente da Lusíria desvalorizou.
Depois de pensar um bocadinho o Presidente da Lusíria fez um almoço com jornalistas Tropicónios para dizer que tinha cortado a mesada ao filho. Toda gente gostou muito, então ele decidiu dizer: «Os Lusírios, há 500 anos roubaram galinhas dos Tropicónios, quando a Tropicónia e a Lusíria eram ambas Freguesia da Lusíria. Vamos fazer uma Comissão para mandar dinheiro dos Lusírios para a Tropicónia e compensar a perda das Galinhas e dos Ovos». A Tropicónia vai ter fazer outra Comissão para receber e distribuir o dinheiro Lusírio.
O filho sem mesada vai fazer uma chamada a um casal “amigo” porque ele conhece bem a Lusíria, e até conhece mais ou menos bem o Presidente da Junta Lusíria. Como tal, será o freguês Tropicónio mais qualificado para a Comissão.
Uns anos depois o Presidente da Lusíria já não é Presidente da Junta, nem tem dinheiro para repor a mesada do filho, mas convida o puto para lanchar. O rapazote, todo pimpão diz: «Obrigado pai. O dinheiro deu para as galinhas, para os ovos, para a minha mesada e para uma Playstation».
Um brinde à Lusíria.
quarta-feira, 24 de abril de 2024
Liberdade tem "Pai Incógnito"
No tempo da outra senhora a figura do “pai incógnito” era uma boa escapatória para liberdades impostas em casamento.
Hoje, em liberdade, parece que a Liberdade é filha de “pai incógnito”. Nestes dias é fácil ficarmos confusos porque o que não faltam são candidatos a Pais da Liberdade.
O barbeiro de 60 anos fazia a barba a Salgueiro Maia desde que o militar usava fraldas. O taxista de 45 anos foi quem convenceu o Zeca a produzir o “Grândola, Vila Morena”. O sindicalista de 63 anos foi quem edificou o Carmo. O escreve-lérias de 71 anos lembra-se de tudo, esteve lá e sem ele nada tinha acontecido. O bêbado da baixa, com 77 anos, é que, coitado, está mal: «Não estava lá, não vi na televisão, devia estar com os copos…».
Com tantos “pais”, quase podemos duvidar da atividade profissional da mãe. Pior, parece que estes pais estiveram lá todos para conceber - o acompanhamento é que não foi o seu forte.
A filha pode ter defeitos e estar a passar por dificuldades. Se nós, os não-pais, não cuidarmos dela, haverá certamente um coveiro de 69 anos que dirá «Esta já está! Agora diz qu’era boa pessoa».
sexta-feira, 22 de março de 2024
50 anos e Filhinhos do Papá
«Alfama não cheira a fado», Março não cheira a Abril, mas Abril cheirará a Junho.
A instabilidade de que tanto se fala é, para já, um agouro. Mas pode vir a ser um sintoma de que as bodas de ouro, que todos celebraremos este ano, podem ser um quinquagésimo aniversário de um casamento de fachada.
O casal é bonito. A esposa é bem mais velha que o noivo que teve. Nas festas estão sempre lindamente, não têm grandes demonstrações de paixão, como parece ser próprio. Fora de casa é um casamento de sonho.
«Quem vive no convento é que sabe o que se passa lá dentro» e nós, os condóminos, sabemos qualquer coisa. Portugal casou com a Democracia, mas os filhos vaidosos que não ficaram com a liderança da assembleia de condomínio, parecem que são filhinhos do papá, e preferem-no à mãe.
A MEMÓRIA da mãe já se confunde com a da tetravó. O mito de ambas foi fundido com alguma habilidade e oportunismo, típicos de quem quer o pai e tem de parecer jogar com as regras da mui nobre senhora mãe.
Normalizou-se a sensação de que é necessária uma maioria absoluta para se governar a casa da mãe Democracia e do pai Portugal. Absoluta era a tua tetravó, pá!
Os filhinhos do papá andam doidinhos a acender velinhas à Santa Criatividade Jurídica, para que se lhes ilumine uma alínea que, com o fermento mediático q.b., se sobreponha ao tio, irmão do pai: o Zé Bom Senso!
Já que falámos em fermento, entremos por aí.
Cada condómino pôs na bacia um ingrediente. Houve quem não tivesse posto ingrediente algum, mas desta vez, como sabemos, foram menos. O cheiro da massa que se fez, bateu e pôs na forma, ainda crua, tem, entre as principais notas, duas muito boas: o perfume da esposa do tio Zé, a Negociação; e o do sogro, Diálogo.
Eu não gosto dos comumente entendidos como filhos da mãe. Mas talvez precisemos que outros filhos-da-mãe, estes filhos desta Mãe, venham a jogo, e honrem a memória da família vasta e respeitável, nestas bodas de ouro que ainda vão a tempo de salvar o casamento.
Bolo cheiroso já há. Faltam os filhos-da-mãe para pô-lo no forno do condomínio, com ajuda de três tias do lado pai: a tia Sabedoria e as outras duas.
«Alfama não cheira a fado / Mas não tem outra canção», cantava Ary. Abril cheirará a Junho. Junho cheirará ao tio Zé, à sua esposa e ao seu sogro! Que assim fosse...
segunda-feira, 11 de março de 2024
Democratas-de-Bem querem Metecos
Nas últimas horas creio que ninguém que lê estas palavras teve a oportunidade de não sentir o travo amargo de alguns arautos da democracia a quase sugerirem o retrocesso do sufrágio para não universal.
Não estou particularmente feliz com os resultados destas eleições legislativas, admito. Apesar disso não me sinto no direito de justificá-los pela inferioridade do discernimento dos outros, em relação ao meu. Também não consigo culpar a justiça pela vontade popular.
No primeiro caso dizer que partidos como o Chega, no qual não me revejo, são suportados pela ignorância de alguns cidadãos é um insulto indisfarçável e gratuito a mais de 1 milhão de eleitores portugueses. Não estou confortável em arrotar essa injúria. Fazê-lo faz de quem o faz pouco mais do que um arrogante auto-proclamado tolerante só para ter o título e a pinta.
Qual é a solução para isto? Criar duas equipas, a “nós” e a “vós” como na sueca, em que a primeira está qualificada e é bem-vinda às mesas de voto, em detrimento da segunda que só prejudicará o país e a democracia? Voltamos para a realidade helénica? Lá havia uma primeira divisão: cidadãos e os outros. Os outros eram os escravos, as mulheres e os metecos. Ao contrário dos escravos e das mulheres, os metecos gozavam de muitos dos direitos dos cidadãos mas eram vedados da participação política. É isso que queremos?
Ou a solução passa pela educação e pela promoção da literacia política? Temos percorrido esse caminho, também. Não sei se, nessa matéria, houve algum outro momento da história portuguesa em que aparentava existir tamanho esforço público para se conseguir progredir.
Há uma pergunta que podemos fazer. O que se fará quando, apesar da máxima educação e literacia política, a vontade popular der sinais de sede de uma mudança tão estranha que os democratas-de-bem, tolerantes-de-algibeira, não a apreciem ou a temam? Culpa-se a justiça? Vêm os metecos? Que atrevimento julgar-se que, em democracia, pode haver espaço para ideias muito diferentes das nossas… É um escândalo…
Culpa-se a justiça, um parágrafo, um presidente, culpa-se até o comprimento da saia da professora de filosofia que quando falava de liberdade levava atenção dos alunos para outro lado.
Culpa-se a justiça! A senhora não tinha nada que fazer! Fez aquilo! Caiu o governo, perdeu-se uma determinada maioria, perdeu-se a esperança… Perdeu-se a memória, perderam-se 57 governantes, mais 15 que haviam perdido antes da senhora ter margem para ter culpa.
Perderam-se, também antes, meses de aulas, anos de espera na saúde, cor nos cabelos, vidas humanas, sonhos em Portugal, confiança no futuro, tantas outras coisas que, escritas, inverteriam o sentido desta mensagem.
Como seria se a senhora tivesse alguma coisa que fazer e não houvesse parágrafo, nem a Maldade-Fria de um presidente maquiavélico e calculista?
Talvez se perdessem além dos 57 e dos 15, mais uns quantos governantes. Talvez o descontentamento galopasse ainda mais e, em vez de um Ventura, houvesse dois.
Se a senhora tivesse alguma coisa que fazer, os democratas-de-bem estavam tramados, a chuchar calmantes e pedir o regresso de Cristo, ou de um esqueleto qualquer.
Temo seriamente que se volte a desejar metecos. Temo que os democratas matem a democracia, antes de compreenderem que ela é aquilo que os “nós” e os “vós” quiserem como mesa, para se continuar calmamente a jogar à sueca, a comer, a viver e a procurar a felicidade e o progresso.
Ontem, no último domingo de lua-nova antes do equinócio da primavera de 2024, Portugal foi a votos para redistribuir os assentos do Parlamento Português. Uma curiosidade coloca simbolicamente este sacro ofício da democracia laica portuguesa em oposição ao sacrifício Pascal que se celebra, no mesmo país, invariavelmente no primeiro domingo de lua-cheia, após o equinócio da primavera.
«Começou ontem a contagem decrescente para o final da legislatura que ainda não teve início» e começou com uma clara e incontornável vitória. Ganhou a participação popular. Ganhou a democracia, que é, entre os sistemas que conheço, o que mais facilmente oxigena corpos estranhos que podem desejar, mais do que qualquer outra coisa, a sua atrofia. Corpos esses que podem existir da esquerda à direita. Queiramos ou não, e ideias à parte, ganhou a democracia portuguesa, no ano em que assinala 50 anos da sua existência.
Um nervoso lerá nas minhas palavras uma apologia qualquer que pode ser espelho de um desejo profundo que dorme atrás dos seus olhos. Essa apologia não existe, nem nas minhas ideias, nem nestas palavras. Podemos discutir crenças e visões, preferências ou o seu contrário, na distribuição dos votos pelas diferentes candidaturas que constavam nos boletins que ontem foram preenchidos por um número historicamente generoso de eleitores portugueses. Podemos ainda estar individualmente descontentes por certos crescimentos e minguamentos de menos certos grupos parlamentares naquela eleição de domingo de breu.
Além disto, e em relação ao ato eleitoral, há a alegria e o desespero, o divórcio das expectativas com os resultados. Há também os “profetas” que precisam de ter sempre razão antes do tempo, como se a sua vida e alegria em estarem vivos dependessem disso.
Eu vejo que há uma ampulheta que não folga nem dorme, que não pode ser atrasada, podendo, contudo, ser tirada de cima da mesa para dar lugar a outra que recomeçará a cascata de areia, ou até o seu fim, ou até ter um fim igual à hipotética antecessora.
Faltam 20 dias para o clímax do culto ao coelho da Páscoa, podem faltar mais ou menos para magia democrática sacar da cartola, ao luar, uma coelha prenha de soluções ou problemas que viverão além de uma ampulheta.
sexta-feira, 8 de março de 2024
Feliz dia às Mulheres
Nesta data estabelecida como o Dia Internacional da Mulher desejo a todas as mulheres que conheço um dia bom e feliz. Acima de tudo bom, feliz e fecundo de liberdade. Que possa ser um marco no ano que, como todos, é delas.
Desejo também que possam ser quem são e querem ser, mais do que serem cada vez mais iguais aos homens.
Diz a minha experiência que pode não ser o ideal desejar ser igual aos homens. Até porque a esmagadora maioria dos homens que conheço não tem uma vida facilmente cobiçável.
Narrativas livreiras e politiqueiras à parte, parece-me que o bom da mulher está em ser mulher, e a mulher que deseja ser. Longe disso está a tentação de procurar ser quem não se quer ser, ou julga que se quer só porque a igualdade - que eu defendo com tudo o que posso - está pintada numa ratoeira qualquer no topo de uma escada que conduz à “morte” igual à de tantos sonhos e homens que não se realizam ou cumprem.
VIVAM AS MULHERES, A SUA ALEGRIA E O SEU PROGRESSO! As que existem e que o são! Porque o resto é só degraus com madeiras, molas, tintas e “morte” para a vida que poderia ter vindo a ser e nunca veio, nem nunca a foi.
terça-feira, 13 de fevereiro de 2024
A Direita dos Triângulos Amorosos
A fonte dos amores foi a escola de muitos dos nomes que conduziram o país que temos. Foi-a tão intensamente, que agora brotam fontes de amor nos corações fofinhos dos democratas-do-dia. Da esquerda à direita, vamos assistindo a encontros e desencontros, a traições de esquina, a mentiras da avozinha. Isto está uma cantiga de um trovador bêbado e apaixonado.
Mais à direita temos o amor platónico da saudade, com uma mesa dos três pés do tempo dos avós de muitos que agora votam. Não bastasse esse menage, evidentemente digno e respeitável, temos agora um quarto apaixonado que não aceita o não social democrata, e canta ao Mondego os amores que se lhe brotam do peito pela nação e pelos “portugueses de bem”. Há ainda um quinto, mais bem trajado, contemporâneo e neo-qualquer-coisa, que apesar de não cantar ao luar os seus amores, tem como pretendente, o amor do anterior. Fonte dos amores, que fizeste os Homens de um país, fazes agora do país uma cama. Há que contemplar no orçamento a equipa de higiene, porque mais um pouco e cheira muito mal, a podre – basta ver que uma das pernas da mesa tríplice original já caiu, só que ainda não sabe.
Com a evolução, vamos ter, certamente, serenatas a três e de quatro.
quarta-feira, 13 de dezembro de 2023
Natal Envergonhado
Já não há Natal.
Há outra coisa qualquer.
Boas festas, não têm mal:
Têm sacos, bytes e colher...
Há uma vergonha reprogramante,
Carnavalizada de tolerância,
Que sobrepõe num instante
O curto-prazo masturbado,
Agenda da gravatânsia,
À história e legado
Que perderam rosto para «um infante».
Já não é Feliz Natal.
São boas festas!
Já não é cerimonial
É, agora, social,
Pseudo-inclusivo,
Já que a forma como eu vivo,
Com likes e votos atestas.
Já não há o Menino,
Há meninxs coitadinhxs das redes.
Já não há Virgem,
"Esse produto machista" das teses.
Step-dad há, mas é diferente.
Burros e vacas ficam na minha mente
Porque houve tempo na democracia
Em que qualquer um podia
Opinar e ser origem
De um diálogo benino.
Já não há Natal.
Há Festas!
«Não sejas radical,
Tens de abrir a quem não crê»
Já que todo o mundo vê
Cifrões em datas destas.
Já não há igrejas,
Há infraestruturas.
Já não há Igrejas,
Há memórias futuras.
Já não há moral,
Há conselhos de ética.
Doutrina castrante e patética,
Que encanhota Portugal.
"Não sejas assim, isto é Global,
Desejável e normal.
É natural da evolução,
Do progresso da nação."
Achas que alguém diria que não,
Ao 25 de Abril ou Ramadão,
Se tornarem símbolos do que não são,
Ou com nomes de reinvenção,
Em nome do tão vão
Voto ou tostão?
Não é que defenda o Natal,
Ou que não defenda.
Não é que me atravesse pela Igreja,
Pela fé, religiões ou tradição!
É por moral, ou ética sem conselho,
Das quais me orgulho desde fedelho.
Isto não é normal!
Não está à venda!
E por muito que a doutrina o deseje, e deseja,
Não está à venda. Para mim não!
Boas festxs, e tal...
Que possa ter significado devolvido.
Que se possa desejar, destemido,
Um Santo e Feliz Natal.
terça-feira, 21 de novembro de 2023
Matança Asseada
segunda-feira, 25 de julho de 2022
Falácia Religiosa
Antes de tudo e depois do nada,
Há qualquer instante em que o que existe,
Sem saber que o faz, sem talvez,
Fazer ideia do que será saber, ou até ser,
Está ligado numa espiritualidade inata,
Numa ligação tão sútil quanto "real".
A realidade realiza-se numa ligação
Descomplicada e inevitável.
Nesse instante, o Deus ou Deusas -
Ou qualquer outra Coisa que não pode ser
Apertada dentro de uma palavra,
Por muito bela ou por muitas que sejam -
"Existiam" - chamemos-lhe este verbo, por falta de melhor -
Numa plenitude que ainda hoje lhe colamos.
Essa "criatividade" existia aquém, nas coisas e além delas.
Perfeitamente ligada, una, mas respeitadora das
Vontades que talvez ainda, aí, não se distinguiam do impercetível.
Uma criatividade a montante de qualquer realidade ou criação,
Não nasce, digamos que é "presente" há pelo menos uma eternidade "atrás".
Desde esse passado inefável que a criação é banhada
Com tantas e tão diferentes enxurradas de religiosidades
Que todos os gostos e temores têm a solução ideal.
Mais a norte ou a sul, a este ou oeste, à frente ou para trás no tempo,
Basta procurar bem e la estará o código adequado para o efeito pretendido.
Em que momento faz sentido dizer que é necessária uma religião?
Uma religação? Religar o quê, quem a quê ou a quem?
Houve, também na espiritualidade, uma sedentarização:
Um momento que um homem ou mulher (que agora parece que deixam de existir)
Entendeu que era possível semear e colher, ou melhor,
Colher sem semear. Nesse momento percebeu que a semente
existia nos outros e que bastava escolher o ilíquido com que regar:
o medo, o desejo, o vazio...
Essa semente que cada de nós parece ter
tem vindo a ser refém de adubos de outros.
Nesta fase, acho que vejo que qualquer aspiração metafísica,
Mais do que encontrar abrigo interesseiro,
Desencontra-se na hostilidade material,
No superavit de estímulos e soluções
Que nada mais podem ser do que um exorcismo da própria alma.
Uma amputação a sangue frio.
Parece-me que entender que é necessária uma religação
É tão perigoso quanto achar que não há, nem é necessária
Ligação.
Ainda acredito.
Acredito que ligação existe apesar das vontades polarizadas.
Ligação tão grande que dificulta o seu próprio entendimento.
Tão presente e constanto que não se percebe a existência.
Tão simples e natural, que nem que queiramos não é possível o shut down.
Nem religar, nem desligar, em achar que ela não existe.
Viver, pausar e saborear com um palato que não sei se sabes que o tens.
domingo, 24 de outubro de 2021
Perdão Pagão
sábado, 23 de outubro de 2021
Deus Assessorado
quinta-feira, 23 de setembro de 2021
Egos travestidos
sexta-feira, 30 de julho de 2021
Mar Seco
terça-feira, 20 de julho de 2021
Conversinha fraterna
segunda-feira, 19 de julho de 2021
Nudez Primeira
domingo, 18 de julho de 2021
Velho Medo
segunda-feira, 2 de novembro de 2020
Amnistia às Bruxas
Em tempo de Halloween, o paganismo e o capitalismo estão em festa. As bruxas absolvidas podem sair à rua na noite de 31 de Outubro, ou podiam…
No velho Estado Novo, tínhamos bufos nos cafés, nas ruas e até em casa. Um regime policiado, assumido, tóxico e castrante de liberdade.
O escândalo, hoje, perdeu o rosto, é certo, mas nem por isso perdeu a força. Se antes existiam informadores do sistema camuflados em muitos lados, hoje temos o próprio sistema camuflado a agir como censura dentro dos medos de cada um de nós.
O seguidismo e o poderio lançaram a rede do politicamente correto, de um novo senso comum acéfalo e apapagaiado.
Quem não alinha no politicamente correto de hoje, profundamente ideológico, é um reacionário, um conspirador, um alvo-a-abater. Já não com as técnicas de tortura do antigamente. Hoje vivemos a anulação individual e a exclusão social como arma do próprio regime, sem necessidade de PIDE ou inquisidores credenciados, mas com o mais perigoso dos vírus em democracia: a desinformação profunda que confunde e distrai o eleitorado.
As bruxas eram pensadoras por conta própria, investigadoras de si mesmas, que, em harmonia com as leis naturais, desenvolviam ferramentas e meios para o progresso da sua liberdade e melhoria da qualidade de vida, sua e dos seus. Essa independência, essa diferença, deu-lhes o bilhete para a solidão discriminadora.
Que as há, há, e há dentro de cada um que busca o seu próprio caminho.
Em plena pandemia, a criançada fantasiada de bruxinhas não poderá sair à rua, assim como as originais, que cada vez menos saem, se veem ou ouvem. A magia da democracia corrente, que procura extinguir as bruxas e manter todos os “santos”.
De Deus às bruxas, a amnistia, já que o homem grande continua a querer “queimá-las”.
quinta-feira, 26 de dezembro de 2019
Por que amas?
Porque de ti esperas
O que ainda não és.
Porque de ti dás
O que ainda não tens.
Porque de ti extrais
O tudo que precisas.
Ainda assim não te guardas,
Não te sentas, nem respiras.
Não te escondes além fardas,
além merdas, além mentiras.
Amas porque ouviste que a vida é perecível.
Quem to disse foi ele.
Sacana que se mata para viveres até um dia.
Num voo de borboleta:
Instantes de ilusão para consumar a magia!
Sacana muscular e metafísico,
Perverso que bate e repete: "MORTAL!".
Aparentemente narcísico,
Mas porta para a entrega total...
Serás tu, coração simplório,
O responsável pela minha anulação?
Ou apenas meu bode expiatório,
Para um erro com perdão?
Onde está o equilíbrio entre as coisas?
Amor-serviço cheira a incenso,
A velho e naftalina!
Amor-próprio cheira a mau-senso,
A solidão cretina!
Amor isto! Amor aquilo!
Sem definição nem asilo,
Sem liberdade, nem sina!
Eu escolho um outro amor!
Um amor dentro de mim,
Mas para alguém!
E que venha a dor,
E, já que terei fim,
O prazer também.
Por que amas tu, afinal?
Por quem amas tu?
Para que amas?
Que amas?
Amas?
Não sei o que é o amor.
Mas gosto da ideia de poder tê-lo.
Coisa nenhuma que não seja se pode ter.
Poderá o amor ser ele próprio em algum momento?
Não creio que um vocábulo possa ser um sentimento;
Nem que um sentimento caiba em caracteres.
Sê-o tu! Antes de o teres! Se quiseres...
terça-feira, 24 de dezembro de 2019
Leis no tempo II
terça-feira, 17 de dezembro de 2019
Passos perdidos
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O Presidente da Junta da Lusíria tem um filho. O filho trabalha na Freguesia da Tropicónia. O filho pediu ao pai uma cunha no centro de saúd...
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imagem adaptada (cortada e desfocado o rótulo) do Jornal Tornado (https://www.jornaltornado.pt/queima-das-fitas-coimbra-urgente-repensar/) ...
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Cheiro o fumo da lareira, Vejo ao fundo uma figueira, O avô Pedro já se escuta... Os portões em tons de mar, Abertos para chamar E de...
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