Cântaros cantavam a sede.
Nos cantos a dor que disseca
O fatal salto e a não-rede.
Partiste-te, seco canteiro,
Cantadeiro vazio de fé:
Escudeiro da espera e herdeiro
Do que foi "será" e não é.
Desta bica, antes molhada,
Não sai vento, não sai deserto.
Não há vazio neste aperto
Há, sim, um sinal na estrada.
Quem é o senhor deste sinal?
Será, certamente, senhor da estrada.
Se a estrada é minha, afinal,
Fui sinaleiro da longa estada.
Acampei, por mim detido.
Nesta estrada fui barreira.
Não quis escutar o ouvido,
Nem a minha voz verdadeira.
Coágulo da fonte que escreve,
Que canta medos e dores.
Salto e solto quem me deve.
Há novos versos e calores.
Água que tornas a correr,
Sê água, sem mais tentar.
Sê água sem ser mulher.
Sê água, sou terra e ar.