Com tremendo peso e algemas.
Tremendo e de peito frio, furado, que adota
As, de outros, dores e penas.
Teus peitos chupados pelo ego
De tiranos, ignorantes que há,
Secaram para o que te entrego.
Não há mais leite por cá.
Março avança para a primavera,
A dor agudiza, sufoca além de ti.
Viria um praça que te dera
O que não vias, mas eu vi.
Convalescença de parte tua,
Liberdade que de ti nasceu.
Deu-te o tempo para, nua,
Sonhares um não-passado teu.
Abril, mês de heróis, trazia na algibeira
O silêncio calado da verdade.
Reacendeu-se a fogueira
Na reunião daquela tarde.
O praça, viu-se capitão.
Cheirou ditador além dos já vistos.
Pela mátria quis que não,
Não amamentasses anjos mistos.
Em abril, abri-te a alma
Já sussurrava a revolução.
Mas depois da tarde calma,
Veio a conspiração.
Fotografia vazada,
Denunciou o caminho
Deu a rota desenhada
Ao ditadorzinho.
A revolução não teve travão,
Os cravos foram à rua.
Veio progresso, veio o perdão,
Veio liberdade, mas não tua.
Passado Abril há vitória,
Há melhoria, há futuro.
Mas ainda há um ditador em glória
Que verás ao descer do muro.
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